Acatenango
Guatemala

Como é subir o vulcão Acatenango, Guatemala!

Um dos principais atrativos da Guatemala são seus vulcões ativos e a possibilidade de subir neles. O principal tour é o do Acatenango, que atinge quase 4.000 de altitude e atrai turistas do mundo todo.

Quando decidi visitar o país, fiquei na dúvida se aguentaria o tranco, pois são quase dois dias de atividade. Me dirigi à cidade de Antigua, a principal para os viajantes que visitam o país, ainda na dúvida. Só que quando você começa a conhecer outros mochileiros, ouvir suas histórias e descobrir mais sobre o vulcão, a dúvida vai embora e você já quer bookar o tour!

Desde sempre sabia que o faria com o Tropicana Hostel (é hostel e agência de viagem). Além de bem recomendado, têm acampamento próprio montado em cima do vulcão e os grupos sempre pareciam animados, e tem disponibilidade de tours saindo todos os dias.

Acatenango

Não deu outra: bookei com eles direto na recepção dois dias antes. O custo é de 65 dólares e acho que vale a pena para o que oferece – as opções na região variam bem, dá para achar entre 30 e 150 dólares. Ademais de guias, acampamento montado e desconto no dia da volta do vulcão para se hospedar no próprio hostel, todos as refeições estão inclusas: café da manhã, almoço, jantar. E tudo bem servido e com opções!

Vamos à aventura?

No dia do passeio, nos encontramos às 8h no Tropicana – mesmo quem não está hospedado lá vai para este ponto de encontro – para o café da manhã. Às 9h saímos com uma van rumo à base do Acatenango. Vale ressaltar que deixei meu mochilão no hostel e fiz uma mochila menor, só com o essencial: água, papel higiênico, câmera, protetor solar e muitos, mas muitos casacos! Quem quiser pode alugar casacos no Tropicana.

Acatenango
Café da manhã no Tropicana Hostel

Ouvia sobre o frio, mas só sentindo na pele lá para entender! Já chego nesta parte!

Acabei alugando um stick, um pau para ajudar a subir, por um dólar, tem gente oferecendo antes de iniciar a subida. Achei exagerado, mas resolvi ouvir as recomendações e o guia. Ainda bem!!!!! Sem esse stick, não teria conseguido! O solo do vulcão é “solto”, se escorrega demais… Foi bom para apoiar no esforço da subida, e na descida para não derrapar e cair!

Pois bem, iniciamos a jornada. Acabei atuando como guia oficial por falar espanhol e inglês, foi divertido e parecia até que eu sabia muito de vulcões rs.

Acatenango

A subida é dura, ou melhor, duríssima. Mas não é impossível! Tem que estar com o condicionamento físico bom e praticar esportes/academia regularmente, fora isso, acho super que dá. São entre 5 a 6 horas subindo, com 7 paradas, sendo uma para almoço.

Acatenango
O almoço!

O clima vai ficando cada vez mais seco e a temperatura esfriando, é quase um choque: você está suando como doido e com o vento frio batendo no rosto. Senti falta de levar algo para cobrir o nariz e a boca, como uma bandana. A poeira é gigante, os dentes e a parte interior das narinas ficam todas marrons. Pelo menos tinha óculos de sol para proteger os olhos!

Acatenango

Muitas vezes quis parar ou até mesmo sentar e soltar uma lágrima de cansaço e esforço. O pulmão sofre, as coxas gritam. Era um “graças a Deus” toda vez que chegávamos numa paradinha rsrsrs. Só que éramos um grande grupo, e isso te move. Você não quer parar porque tem gente atrás de você e não se pode atrapalhar o fluxo dos passos. Não quer parar porque tem alguém com menos experiência com você fazendo o mesmo e você quer provar algo a si mesmo. Não quer parar porque você sabia do desafio e quer ir até o fim com êxito. É uma loucura psicológica e física.

Acatenango
Andando com as nuvens

Quando chegamos no nosso acampamento já nos sentíamos quase como uma família que passou por uns bocados e segue unida hahahah.

E quando chegamos, uma surpresa: estávamos quase que cara a cara com o vulcão Fuego. Ele é gêmeo do Acatenango, e todo o ponto de subir este é para olhar aquele.

Acatenango

Dava para tocar as nuvens quase! Passamos algumas horas descansando da subida e olhando a linda paisagem. O vulcão soltava fumaça e sempre comemorávamos quando estava forte!

Acatenango
Vista do acampamento
Acatenango
Acampamento
Acatenango

Daí o frio começou. E veio rápido. Ia para uma tenda colocar um casaco. Daí mais um. Outro, vai. Luvas, gorro. Voltava para colocar outro. Até que estava com quase 6, e friiiiiiooooooo. Mesmo assim o céu estava claro, umas seis horas da tarde.

Armaram uma fogueira e morei lá. Poderia me tacar dentro das chamas de tanto frio. E olha que não sou nada friorenta! Rsrsrsrs

Acatenango

Os guias cozinharam nosso jantar: macarrão com molho de tomate. Conforme ia escurecendo, traziam outras coisas, como tortillas, Cup Noodles, chocolate quente… e tinha vinho tinto, o que adoro!

Acatenango
Jantinha
Acatenango
Acatenango
Eu toda friorenta bebendo vinho

Ficamos todos ao redor da fogueira até escurecer. Estava receosa porque havia muitas nuvens e não sabia se conseguiria ver o vulcão ativo à noite. E o mais importante, sua lava. Esta está sempre presente, mas só conseguimos enxergar à noite, devido à luz. O guias me mantinham positiva e diziam que daria para ver sim, tinha que acreditar.

E não é que deu? Lava explodindo, explosões e mais explosões! Acontecia a cada cinco minutos, mais ou menos!

Acatenango
À noite…

Aos poucos, o pessoal foi indo dormir. Fui uma das últimas a me deitar, e acho que só consegui aguentar ao ar livre porque estava perto do fogo. Saia um segundo e aquele vento gelado a quase 3.500 metros de altitude me pegava.

Mas quem disse que consegui dormir e/ou descansar? Na tenda éramos 8, a acho que ninguém realmente fechou os olhos. O barulho do vento, o frio e o som do vulcão fizeram com que ficasse acordada o tempo todo.

Às 4 da manhã, os guias vieram nos acordar. Era hora do momento mais esperado: subir mais um pouquinho no escuro (uma hora mais ou menos) até o real topo do Acatenango, para ver o sol nascer com o vulcão Fuego ao fundo.

Mais uma subida difícil. Desta vez, com frio, olhos lacrimejando, costas doendo, pernas já reclamando e, o pior: o cansaço! Já eram quase 24h sem dormir, e estávamos caminhando no escuro, topar em pedras e plantas era fácil.

E chegamos. Que momento! Vou deixar as fotos do topo do Acatenango falarem por si.

Acatenango
Acatenango
Acatenango
Acatenango
Acatenango
Quando já ficou claro kkk

Ficamos um tempo aproveitando por ali. Voltamos para o acampamento, tomamos o café da manhã (aveia e pão de banana) e logo iniciamos a caminhada para descer.

Subir foi difícil, mas descer também! Derrapávamos demais, era muito escorregadio! Acho que caí umas 10 vezes. Mas eram todos, e ríamos e nos incentivávamos sempre. Diferente da subida, a descida tomou umas 2 horas, e com menos paradas.

Acatenango
Descendo

Chegamos, mortos. Sujos, com coração batendo, mas felizes demais! Que lindo que foi! O orgulho era enorme. Quase 20 km ida e volta em mudanças abruptas de temperatura e inclinação do solo. Ganhamos limonada fresquinha quando atingimos a base do Acatenango, merecida!

Acatenango

As vans para nos levar de volta ao Tropicana Hostel já estavam lá, eram quase 10h e o novo grupo que faria subida também já estava à espera. Todos rimos com aquele olhar de: vocês não sabem a subida que lhes aguarda hahahaha.

Chegando ao Tropicana, tomamos banho e logo o grupo começou ase dispersar, alguns iam embora, outros ficariam mais uma noite.

Acatenango

Olhando agora, só sei que foi a melhor experiência que tive na Guatemala. O Acatenango é lindo, todo o trajeto é permeado por boas memórias, e assistir ao espetáculo da natureza que é um vulcão entrar em erupção nos lembra quão incrível a natureza é.

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