Sobre uma geração de jovens que não finca raízes


A Bruna Cosenza vem escrevendo há tanto tempo aqui no blog que queria agradecê-la por se dedicar com tanto afinco a este espaço. Você arrasa, amiga! Mais um texto incrível… não deixem de acompanhar o Para Preencher!


Por Bruna Cosenza

Tenho notado cada vez mais que as pessoas – principalmente da minha idade – estão sempre insatisfeitas com o lugar em que vivem. Quando pergunto se estão felizes por morarem no Brasil, é praticamente impossível ouvir uma resposta que contemple um sentimento de satisfação.

Todo mundo parece querer estar em movimento o tempo todo. Ninguém se satisfaz com o que já tem. E não digo que isso seja algo totalmente ruim. Apenas fico me perguntando por que esse tipo de comportamente parece estar crescendo tanto.

Antigamente as pessoas não viajavam tanto assim. Nem todos tinham a chance de morar fora, fazer um curso ou faculdade no exterior… Hoje, isso tudo é mais fácil e acho essas oportunidades incríveis. No entanto, ao mesmo tempo, tenho a impressão de que cultivamos a ilusão de que “lá fora” as coisas sempre serão melhores. E não me excluo dessa parcela de pessoas, pois muitas vezes também fico cultivando a expectativa de que quando eu tiver a oportunidade de morar fora, muitas coisas serão melhores na minha vida.

Mas, enfim, após refletir um pouco sobre o assunto, acabei me dando conta de que a minha geração e as que estão vindo logo atrás são repletas de indivíduos com uma enorme sede pelo desconhecido. Somos inquietos, enxergamos um mundo de possibilidades e não nos contentamos com uma vidinha planejada. Criamos rotas, mas alteramos tudo no meio do caminho. Traçamos destinos, mas não nos importamos se chegarmos em algum lugar completamente diferente do planejado. Até porque, muitas vezes, o nosso maior objetivo está muito mais relacionado a aproveitar a jornada do que chegar ao destino final.

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Temos consciência do tamanho deste mundo e queremos experienciar tudo o que está ao nosso alcance. Afinal, o mundo é grande demais para ficarmos parados num único lugar. Acho que essa é a principal motivação desses jovens que parecem não fincar mais raízes em lugar nenhum. Eles são cheios de vontades e vão atrás do que é necessário para satisfazê-las.

E por mais que ache isso maravilhoso, confesso que fico com alguns receios. Tenho medo de me relacionar com pessoas que não têm a menor intenção de ficar ao meu lado, ao mesmo tempo em que tenho medo de decidir partir a qualquer momento e ser obrigada a dizer adeus para quem amo.

Bom, mas acho que no final das contas isso é a vida. Encontros e desencontros que dão frio na barriga, nos fazem sorrir e chorar, e trazem grandes emoções para o nosso dia a dia. Precisamos nos acostumar com as mudanças que com certeza nunca deixarão de existir, e nos adaptar para evitar que sejam tão sofridas. E, principalmente, precisamos continuar com essa sede pelo desconhecido, mas sem nunca nos esquecermos das nossas raízes, e de onde residem as pessoas que um dia talvez deixaremos para trás.

Por Bruna Cosenza

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