O que aprendi viajando

Sempre fui muito “filósofa”, analisando tudo, buscando porquês e tentando compreender o sentido de certos episódios ao longo da vida ou mesmo a presença de determinados personagens no meu dia a dia. Não sei dizer se isso é bom ou ruim, já que muitas vezes me traz paz de espírito e, em outras, uma certa raiva. Sou meio louca em tentar achar um sentido pra vida, né não?

A maneira que encontrei de internalizar essa “análise” toda foi ver que tudo é aprendizado. As coisas boas, ruins, as racionais e as irracionais também. Conseguimos aprender algo de tudo que passa pela gente, sejam momentos, pessoas ou lugares.

Viajando em 2015 não foi diferente. Vivi e aprendi muito, e coordenar tudo isso dentro de mim vem sendo um desafio diário. Resolvi escrever aqui pois, além de querer compartilhar com outras pessoas, também quero guardar para mim e reler sempre que algo negativo acontece, para me fazer lembrar de como consegui crescer em apenas 9 meses viajando.

Você precisa vivenciar para compreender. Não adianta aconselhar, falar, tentar ajudar… só compreendemos o outro quando experienciamos aquilo pelo qual ele está passando. Ficamos muito mais solidários ao seu sentimento, seja ele positivo ou negativo.

Todo mundo é igual. Não importa onde você esteja. As ambições, os sonhos, os medos, os desejos… todo mundo sente igual. Conheci uma moça na Suíça que passou um jantar inteiro reclamando do trabalho, tendo dúvidas sobre o namorado, com medo de nunca conseguir pagar por uma casa própria, falando da mãe com quem ela não se comunica há anos… E ela é natural de um dos países com maior IDH mundias, sem violência, com educação de qualidade, salários altos… e poderia ser qualquer amiga minha daqui de SP mesmo. A egípcia, a neozelandesa, a canadense, a paraguaia, a brasileira são seres humanos que sofrem igual.

Os problemas nos seguem. Relacionando com o ponto acima, isso é algo que inúmeros filmes e livros nos mostram: se você está infeliz com algo não é a mudança de paisagem que vai resolvê-lo. Se você tem problemas no trabalho, família, auto-estima, eles continuarão os mesmos em outro lugar. É dentro de nós que mora a insatisfação, não no ambiente.

Tudo passa. Os momentos bons e momentos ruins, tem que ter paciência em saber esperar e compreensão em saber que nada é para sempre.

É difícil fazer amigos no estrangeiro. Vi que, normalmente, estrangeiros fazem amizade com outros estrangeiros. É muito difícil fazer um grupinho “nacional”. Não acho que seja proposital, mas, além de já ser complicado relacionar-se com outra cultura em sua raiz, o fato de você ser um estranho – e todos os problemas que isso atribui, desde a língua até sentir saudades – nos faz simpatizar com outros estranhos.

Nenhum país é ideal. Não importa onde você esteja, todo país tem problema. Os EUA e seu preconceito racial, a Espanha e seu desemprego, a China e sua enorme população. Não adianta achar que mudando de país você encontrará o paraíso. Talvez melhores oportunidades, mas nunca será perfeito. Nem aqueles idealizados tipo Suécia e tal, viu?

Todo mundo diz que gostaria de viajar mais. A maioria fala da boca pra fora. Na hora do “vamo vê”, quando surge uma oportunidade, poucos são aqueles que tem coragem de sair desbravando o mundo. A maioria prefere ficar no conforto do lar, dos lugares já conhecidos. Daí vem um certo preconceito com aqueles que viajam (vivi e vi muito disso), pois são loucos, inconsequentes, vagabundos. Todo mundo fala que queria viajar, mas poucos tem a disposição.

A gente tem tempo pra tudo na vida. Percebi como sou imediatista e ansiosa. Nunca havia me visto assim. Mas algumas pedras no caminho me mostraram que tudo bem se o que eu planejei não deu certo, tudo bem se aquele sonho tiver que ficar pra depois, tudo bem se falhei em conseguir o que queria. Temos tempo, chances e oportunidades para tentar outra hora. O difícil é enxergar isso no presente e realizar que o tempo é extremamente relativo. Paciência, paciência. Fé na estrada.

Beijos,

Amanda

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15 comentários Adicione o seu

  1. Sosô disse:

    Amei as suas percepções Mands!
    saudades
    beijos

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  2. cynara00 disse:

    Adorei sua reflexão Amanda, nada melhor do que experiências vividas e a maturidade para nos mostrar os vários lados da vida. Bjs.

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  3. Adorei as tuas reflexões… Também concordo que todo mundo é igual é só muda de lugar… Às vezes pensamos que os problemas e dúvidas de pessoas de outros países são diferentes dos nossos, mas não… Pode mudar um pouco de perspectiva, mas a essência é a mesma…

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  4. Adorei seu post! Nada substitui sentir na pele, vivenciar as experiências. Eu também acredito que não tem país ideal. Nenhum lugar é perfeito. Os problemas podem até ser diferentes, mas eles existem em qualquer canto desse mundo. Bjs Ale

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  5. Cristina disse:

    Adorei a temática! Concordo com vários pontos. Bora desbravar o mundo? Abraços

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  6. Concordo: os problemas nos seguem, não importa onde estejamos! Bom momento de reflexão

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  7. Josiane Bravo disse:

    Bela reflexão. Concordo com quase tudo, principalmente como o item “tudo passa” 😉 E não adianta pensar que um país é mais perfeito que o outro, claro que cada um tem seus pontos positivos e negativos, mas dizer que certo país é ideal é realmente uma ilusão.

    Abraços

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  8. Profunda reflexão, mas não posso deixar de concordar que uma viagem não deve ser uma fuga, seja de si ou da sua realidade. Uma viagem é descoberta, é autoconhecimento, é aprendizagem. É choque de realidade, onde as vezes percebemos que nossa realidade não é tão ruim assim.

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  9. Simone Hara disse:

    Adorei o texto. sua reflexão mostra uma maturidade que não vem da idade e sim da vivência (e isso viajar o mundo nos proporciona muito, ne?). bjs!

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  10. Edson Jr disse:

    Oi Amanda, muito bom post! 🙂 Muito bons aprendizados, concordo bastante com eles.

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  11. angiesantanna disse:

    otimas reflexoes! muitos conhecidos que nunca tinham viajado tinham essa ideia q eu era louca, gastava so com viagem e nao me preparava para o futuro…ai eles viajaram e agora so gastam o dinheiro com viagem haueha as pessoas mudam, tem que vivenciar pra ver como eh!

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