Afinal, o que procuramos quando decidimos sair pelo mundo?


Para finalizar esse ano tão movimentado, convidei uma amiga para colaborar aqui no blog, o que resultou no belo texto abaixo. A Bruna é publicitária, escritora e mantém o ótimo Para Preencher, com textos lindos. Sigam ela no Facebook.


Quem nunca teve aquela vontade maluca de pegar a mochila e ir conhecer o mundo sem data para voltar? Quem nunca se cansou da rotina, dos amigos e até da família? Quem nunca teve sede pelo desconhecido?

Sair por esse mundão com nada além de uma vontade enorme de explorar tudo o que aparece pela frente é, com certeza, uma das experiências mais enriquecedoras que existem. Mas, afinal, por que as pessoas fazem esse tipo de coisa? Por que surge essa necessidade de se afastar de tudo e aprender a enxergar a vida com outros olhos?

Alguns meses atrás uma das minhas melhores amigas me contou que iria passar seis meses na Inglaterra. Somos amigas desde o colégio e nunca ficamos muito tempo separadas. Não fizemos a mesma faculdade, mas encerramos o ciclo universitário no mesmo ano. Quando ela me contou que iria morar fora, senti uma mistura de felicidade e tristeza.

Mais uma vez, parecia que estávamos passando por um momento com a mesma essência, mas agora tínhamos rotas diferentes. Terminamos a faculdade, saímos de nossos empregos e não tínhamos muitas certezas concretizadas. Ela estava pronta para uma nova aventura em outro país e eu estava tentando me encontrar por aqui.

Quando conversamos sobre a aflição de abandonar a vida pautada na rotina já conhecida, a primeira coisa que ela comentou comigo foi que por mais que estivesse empolgada, tinha medo de que quando voltasse não se encontrasse mais. Foi ai que eu perguntei: afinal, o que as pessoas buscam quando decidem sair pelo mundo?

Não demorou muito para a resposta surgir. Chega uma hora na vida de muitas pessoas que tudo o que um dia já foi incrível simplesmente não é mais o suficiente. Começa a dar aquela coceirinha esquisita que a gente pode até demorar para identificar o que é, mas quando nos damos conta, é essa necessidade de se afastar de tudo. Enfim, o que não só a minha amiga, mas muita gente procura quando decide sair pelo mundo, é mais do que conhecer outras culturas e pessoas novas. É uma busca por si mesmo.

Infelizmente (ou felizmente), às vezes a rotina e os velhos conhecidos não são o suficiente para essa busca interior. Às vezes, é preciso de mais. E nem nós mesmos sabemos o que é esse mais. Simplesmente precisamos sair por ai para descobrir. E o medo que a minha amiga tem de voltar e não se encontrar mais é completamente normal. Quer dizer, quantas pessoas moram fora por muito tempo e quando voltam para o ninho não se identificam mais com o que deixaram para trás?

Acredito que isso aconteça porque, muitas vezes, nessa busca interior por algo que nem sabemos o que é, acabamos nos encontrando nos lugares mais inesperados possíveis. A vida é muito maluca e cheia de surpresas. Pegamos o avião hoje sem saber o que nos espera do outro lado do mundo. Podemos nos apaixonar pelo primeiro gringo que cruzar o nosso caminho e percebermos que ele é o nosso grande amor. Podemos dar a sorte de encontrar o emprego dos sonhos naquela cidadezinha do interior da Europa e nos encontramos profissionalmente. Podemos nos identificar tanto com o novo mundo que abriu as portas para nós, que voltar poderá parecer uma ideia muito distante.

O que a minha amiga finalmente me fez entender foi que para algumas pessoas sair do ninho é essencial, e acredito que eu seja uma delas. Minha hora ainda não chegou, mas quando for a minha vez de entrar no avião, não vou pensar duas vezes em me desligar completamente de tudo o que estiver deixando para trás e me entregar totalmente a essa experiência. Sem receios nem expectativas, não vou pensar muito se me sentirei uma estranha no ninho ou se irei me apaixonar completamente pelo novo mundo que abrirá as portas para mim. O importante é que agora eu sei que não importa onde eu esteja, a minha essência estará sempre comigo. Foi isso o que eu disse para a minha amiga antes de vê-la pela última vez pelos próximos seis meses.

Por Bruna Cosenza

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